Henri T. Lautrec

Henri T. Lautrec
Suzanne Valadon
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terça-feira, 3 de abril de 2012

AO LONGO DE MIM


AO LONGO DE MIM

(racunho de poema)

Ao longo de mim, flores
para o festim do eterno.

Para quando soprar o destino,
eu fechar os olhos.

Eu sentir o todo.

Ao longo de mim meu rosto anônimo.

Rascunho das cores de um pintor.

Arco-íris profundo.

Coragem num caleidoscópio  dissonante.

Ao longo de mim estradas.
A cova viva do espetáculo nascente.

Ao longo de mim o rascunho do eu pela luz do Criador.

Ao longo de mim as asas dos anjos.
Sou um títere com equilíbrio interno.

Ao longo de mim
o mistério da sabedoria

Vinte-e-quatro primaveras
e um metro e cinquenta de visão de mundo

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mais uma filha da Luz, envelhecemos.

Fotografia de 02 de novembro de 2011, na minha cômoda, São Paulo.

Mais uma filha da Luz, envelhecemos.

A música dos trovões anuncia a aurora de mais alguns dias.
Pensei
que não veria mais o Sol e o amor que me mostraram.

Mas (h)ouve a Misericórdia cantando!

Estou aqui e a morte nunca me pareceu tão infeliz assim.
Ainda há verde na terra seca dos homens.
Ainda há chuva pra quem clama vida.
Ainda me deram tinta pra escrever sobre a alegria, nas rochas escuras do asfalto.

A esperança está ali detrás das janelas, brilhando nas estrelas do céu acima de nossas cabeças.
E estou aqui fotografando minhas rosas secas em cima da cômoda.
E estou aqui cumprindo mais alguns dias de peregrina, aprendendo, ensinando...
Ando
em permanência de ser-vivo.
Respiro.

Viajarei pro norte só pra ver outra aurora
e agradecerei aos Santos por me devolverem os dias de luta
porque luto meu será só depois dos meus enta.
Guenta que ainda vo pra lá...
(Não por agora, me disseram.)
Rio.
Rio.
Sorriso e mergulhos. Dois Dois, vamos brincar?

["Quando eu morrer
não quero choro nem vela...
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Não quero flores, nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta com violão e cavaquinho!"]
Rio, de Noel Rosa. É pra lá que eu também vou
dançar com meu amor.
E devagar pra ser feliz, porque pressa
é pra quem não aprendeu a ciranda
dos altos e baixos da Roda da Vida
dessa Terra que só gira.

Corre que o planeta continua.
Quem tá parado pelo menos escuta
o mantra sagrado da permanência do silêncio.

Continuo a observar o Todo
assim como se estivesse no topo de uma pedra:
vejo minha imagem jovem
e existo além dela.

sábado, 10 de setembro de 2011

Biografia

Escorpiana com ascendente em touro. Filha de Oxalá e Oxum. Brasileira, natural de São Paulo. Pés gordos, teimosa e cabelo crespo. Não passou na fila da altura antes de nascer. Dois olhos em cores diferentes. Apaixonada e prometida.

Gosta de elefantes, cachorros e gatos e na mesma proporção. Cineasta de formação e artista em estudo contínuo. Ganha o pão trabalhando em coisas diversas e principalmente com afazeres de vídeos. Sabe fazer pão mesmo que fique mto duro em poucas horas. Geralmente anda dura. Escreve para alimentar a alma. Como a grana não é suficiente precisa pegar jobs aleatórios como fiscal de prova de concurso público, atendente de telemarketing ou promoção de produtos em supermercados. Realidade. Com um pouco de sorte e persistência conseguirá fazer filmes.

A verdade sobre a vida algum anjo chamado Gabriel lhe contou, mas como é feita de carne e osso não lembra de muito, assim como os segredos que tem que ficar guardados no eterno silêncio da sabedoria.

Bebe chá desde a Era da mamadeira. Fã de chocolate, do sufflair fino ao guarda-chuvinha pobre. Incensos pelo quarto. Computador ligado e mente fértil em imaginação. Quadro do beija-flor na cabeceira da cama. Violão no guarda-roupa. Mesa de luz na tomada. Mochila de viagem sempre semi-pronta.

Acordes de The Doors. Mistura de violino e guitarra. Rabeca e sanfona com as duas mãos que escolhi pra guiar a dança.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Keep walking




Singer. Vila Madalena.
Registro meu em agosto de 2009, com companhia do grande amigo Sandro Acrisio.

sábado, 18 de junho de 2011

Epitáfio

Não morrerei de tristeza, ou de palidez por não ir ao Sol.
Não morrerei de medo de chuva, granizo ou do Homem.
Ficarei viva por afeto e sabedoria, guardada num canto de livro ou pétalas de flor

Entre as estrelas e o ar,
Entre as ondas e estradas,

Estarei liberta onde o vento me soprar
levitando os pés do palco a vinteequatro
quadros com tintas de paredes
em segundos de rodapés de página.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tratado da coragem

Acredito ser o ócio a me dar calafrios ao fim de alguns dias de outono. Resolvi, então, partilhar o o "Tratado da Coragem".
A estes escritos dou como fim a prática da coragem como única terapia par escalar-se muros. É simples e não tem maiores segredos a não ser aqueles que estão enterrados dentro de ti.

Número 1: No espelho seu auto-reflexo dá nítida imagem de quem você parece ser. Teça alguma conversa de perguntas e respostas. Ao fim se um minuto capaz que você se irrite, mas então agradeça-se e deseje-se um bom dia. Perdoe-se.

Número 2: respeite a manhã. o dia acorda com o Sol e as flores florescem pelo dia... Desperte-se, mesmo que sentado à cama e que não tenha compromissos exteriores. Acredite, o universo interior é bem mais penoso aquele ao qual a retina reflete, deixe que o dia lhe tire as poeiras seculares.

Número 3: É mentira quando outros dizem que tuas ações irão dar mesmo errado. Na maioria das vezes irão mesmo dar errado e por isso tem-se que levar a sério as opiniões dos mais sábios. Dos mais sábios. Todavia, se se nem você acredita que pode morar em Estocolmo, realmente não pode. E, na verdade, nunca irá poder, pois a mente projeta teus desejos para o exterior e a confiança irá te levar onde quer que queira.

Número 4: Não use o poder de desejar e mentalizar ovelhas condecorando cercas para fragilizar outros. Isso é cuspir para cima e não posso ser mais clara.

Número 5: A coragem é pisar no lodo de si próprio, limpar os pés e tentar arrumar os sapatos. Frustração, decepção e aniquilamento de si mesmo irão inevitavelmente ocorrer. Quiçá todos os dias. mas a coragem do auto-conhecimento poderá fazer com que você se perdoe e veja em si pequenos valores. Creia em si. 90% da população mundial crê em alguns tipos de deuses e ajoelham por eles pedindo todo o tipo de mistérios. Peça a você primeiro, também.

Número 6: Coragem é uma arma que irá lhe atiçar as onças das sinapses e mantendo-a constante alçará voos plenos. Não deixe, contudo, que teu ego lhe leve para mundos mais longínquos aos que te amam. Voltar é sempre difícil e o mais importante é alçar longos voos dentro de si mesmo, sempre descobrindo-se.

Número 7: Tenha coragem de desejar mais coisas espirituais que materiais. A sabedoria é caminho penoso tanto quanto financiamento pela Caixa Econômica. Não irão enterrar teus ouros com você, a não ser que seja Tutancamon. De qualquer forma o ouro e teu corpo ficariam inertes, mesmo reluzindo dourado... O espírito que aprendeu o perdão e o valor da simplicidade da Natureza continuará na mutação. Todo o Mundo precisa da coragem da larva que descobre-se borboleta.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

sem asas

Nos dias em que ao levantar o estômago já está na boca, sem que seja resultado de um porre, há que se preocupar.
De longa data algo lhe incomoda, já tem raízes e uma espécie de cola que gruda qualquer tipo de insatisfação. O grande monstro feito de colagem (de quilos de papéis rabiscados e amassados) preserva-lhe as roupas, rugas e o grande vazio. Havia um ser dentro de você ele já foi embora. Não há mas ninguém. (Seria a ausência de si mesma?)
Livre de consciência, na despreocupação do F.
Talvez seja o desejo apenas de abrir asas, mas ser frágil demais para suportar a grande altura...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

muito obrigada

O poeta dentro de mim tirou longas férias e não disse pra onde foi. Deve ter se jogado em alguns ares por aí, voando por cima dos oceanos que nunca vi. Deve ter se cansado dos meus rebanhos sem sentidos, de uma falta de clareza de seu destino. Na real nunca parei pra trocar idéia com ele. Só o tinha sentado, fumando charuto e observando os poucos da tabacaria. Meu poeta estava sempre mergulhado dentro de um universo de papéis de diversas origens e tintas amassados e rejeitados... Meu poeta teve muitas amantes e foi feliz com várias. Mas no seu quarto o lençol ficava sempre vazio e também ameaçava deixar o colchão. Os montes de sua poesia cobriam todo o lixo de madeira e derramavam pelo chão, ultrapassando o batente da porta. A cortina azul-escura sempre aberta o convidava a sair, nos poucos momentos que ele conseguia respirar. Mas ele não está mais aqui comigo. Sabe-se lá onde foi... Foram pouco mais de 20 anos de intensa companhia e ele se foi, sem rimas babacas nem um tchau dramático. O último bilhete que ele me deixou foi algo sobre metáforas, que são um exagero pras coisas pífias que minha mente inventa. Pena, nem um muito obrigada pude lhe dizer.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Meus dias de Fausto

Penso que ofertei minha alma a Eros, algum dia. Assim como Fausto trocou a sua por alguma coisa que a ele era inatingível... Fiz isso, algumas vezes assim como todos os amantes meio bêbados e burros...
Evoé.
Num dia Dionísio com tranqüilidade deve ter visto algum encanto nesta sombra sem alma que vos fala e me deu um de seus vinhos, o mais doce. A bebida tinha cor de uma mão que embala a minha, um aroma afrodisíaco e o gosto viciante. Eu a tomo, ouvindo The Doors, de Orfeu. Parece inesgotável, deve ser maior que o infinito. E espero que o encantamento que me perturba o coração não seja mais efêmero do que um raio de luz.
Talvez eu ateie um nó na minha cintura e no presente de Baco.
E mesmo se Eros aparecer e mangar de novo, fazendo troça, chamarei Morfeu para enfeitiçar meu sono.

quarta-feira, 25 de março de 2009

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Capítulo de oito anos: a vegetariana que vendia carnes

Há sete anos atrás decidiu que não ia mais comer carne vermelha. Nunca havia gostado do sabor e também achava que não iria sentir falta. Começou a achar aves repgnantes quando mortas, pois imaginava nas suas carnes putrefatas , cozidas e suculentas uma galinha pomposa e feliz, cacaerjando e comendo seu milho. Desde então, intitulou-se vegetariana por não comer tais carnes. E ai? Comia peixe e gostava.. claro... herança de família, sabia fazer os bolinhos de bacalhau, sopas e outras cositas mais. Continuava chamando-se vegetariana pra que não ficassem-na questionando: "mas você não come carne por que defende os animais?". Não, é porque não gosto mesmo. No fundo, óbvio que achava um absurdo consumo excessivo de mamíferos. Mas, por pura preguiça, o rótulo "vegetariana".

E num emprego que pegou porque precisava vendeu carne de natal embalada com lacinhos perfumados. Teve gente que comprou mesmo dizendo que era bixo modificado geneticamente, mesmo falando que era bixo demais pra mesa fraca de família. Pois é... 24 de dezembro é uma data meramente comerciável.


(Da série: desengavetando os sentidos)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Saudades de Marilyn Monroe e da patinha-marmota do Bubu


e da sensação das 5 e meia da manhã, vendo o dia amanhecer ao lado de desconhecidos com o cheiro de "bom-dia-e-já-estou-cansado" e o olhar de igual ao do das 6 da tarde...

claustro(fobia) do pensamento