Henri T. Lautrec

Henri T. Lautrec
Suzanne Valadon

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terça-feira, 8 de julho de 2014

Pestilento VII

- Me dê uma carona para o inferno?
Estava silêncio em seu quarto. Até que é bacana falar sozinho e ele sacudiu o travesseiro e dormiu tranquilamente.

O inferno parecia sossegado, cheio de penas de ganso morto e janelas quebradas. O inferno de sua mente não pedia licença nem cuidado. Obrigado. De nada. Obrigado. De nada. Obrigado. Obrigado. Obrigado sempre a ser educado. Que grande inferno ser intimado às boas maneiras por toda vida. Por toda maldita vida, viver na linha. Na linha do abismo de ser um nada inútil e ser aquele gentleman que atravessa a rua olhando para os dois lados.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Encostei a cabeça

Encostei a cabeça no travesseiro e lembrei que não matei ninguém, não roubei ninguém e estou pagando as dívidas que tenho. Consigo dormir.

Encostei a cabeça no seu peito e lembrei que você nunca me magoou e, pelo contrário, me fez rir muitas vezes. Você respira e eu respiro depois. Depois a gente respira junto. Consigo dormir.

Encostei a cabeça no braço, estando em pé enquanto o metrô anda. Lembrei que estava indo para casa descansar e que eu ali demoraria ainda uma hora para o desejo do sono se concretizar. Lembrei que não sei lidar com o tempo ou ser organizada. Não consigo dormir.

domingo, 28 de dezembro de 2008

capítulo 2: feliz (...)

Escravos cotidianos da rotina irreal de lógicas inaxatas, humanidade de merda. Consola-se com poucas moedas transfiguradas em unidades materiais que perdem-se em unidade de tempo já postas e já retiradas.

And even I remains.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Existencialista

Cicatrizes

Tatuo nos braços
Abraços de homens tantos

Enlaço em camas
De lençóis alheios aos meus prantos

Retiro os sapatos
esperando os retornos
E canto.

Entre sussurros ausentes
Amores líquidos,
arrasam
quase evaporam
e congelam
nestes tempos derretidos.



>> Um dos meus poemas mais tristes e o único que li para desconhecidos, numa noite de bêbados poetas, atores, vadios, bêmios, perdidos, blues e vinho... há meses atrás...>>


Pra quem vive num mundo de sonho, é legal ler coisas que fazem pensar sobre a passagem inexorável do tempo e como o ser humano é estúpido em tudo o que faz... Viver no onírico significa fechar os olhos e sentir tudo profundamente. É não ter expectativas com Nada, mas assumir a incoerência do "Destino" e "rumo da vida" e caminhar com os pés descolados... Uma RODA-GIGANTE!
Há coisas na vida sem resolução; Há mais pessoas vazias do que pensantes; Há mais hipocrisia do que fraternidade; Há mais interesses do que abraços...


Sartre dizia:

(sua personagem da Naúsea dizia aos 30 de janeiro de 1932, enquanto acontecia a Revolução Constitucionalista por aqui... mentira... enquanto o facista do Vargas sentava em seu troninho)

"Quando se vive, nada acontece. Os cenários mudam, as pessoas entram e saem, eis tudo. Nunca há começos. Os dias se sucedem aos dias, sem rima, nem solução: é uma soma monótona e interminável. De quando em quando se procede a um total parcial, dizendo: faz tantos anos que (...)"


"Nesse tipo de estado de espírito em que se deixam passar os acontecimentos sem vê-os."

"Acho que fui eu que mudei: é a solução mais simples. A mais desagradável também. mas enfim tenho que reconhecer que sou sujeito a essas transformações súbitas. O que acontece é que penso muito raramente; então, uma infinidade de pequenas metarmofoses se acumulam em mim, sem que eu me dê conta, e aí, um belo dia, ocorre uma verdadeira revolução. Foi isso que deu à minha vida esse aspecto vacilante, incoerente".

domingo, 2 de novembro de 2008

Estou pixando os muros da continuidade cíclica.

A humanidade é como um cupido que atingiu seu único objetivo e suicida-se com o pau na mão.
O mundo pega fogo, destrói-se na quina terrível do caos. Lixo, imundície, ganância. Frieza.
Cegueira. Somos todos cegos e apalpamos no escuro o que não é tátil: A esperança. Ontem e hoje todos os maridos voltam bêbados, nas madrugadas, pras suas esposas cheias de olheiras e pobrezas (infindáveis tristezas...). Os dois naquela solidão de bolha inquebrável. Centenas de humanos os cercam e mesmo assim abismos separam cada alma. Cada alma um abismo. Abismos cujo vácuo é único lacro. Mas ninguém abre, é vácuo. São vazios... preenchendo vazios...
E ainda assim, o que está cheio de vida são as sequóias. Enormes galhos, crescendo incessantemente enquanto burramente algum babaca liga a motoserra. Gritos.

sábado, 1 de novembro de 2008

baladas?

Perco o sono
na insonônia de quem anda
na madrugada que amanhece o tempo todo...
("A festa não acabou", diz meus pés)
(até meus pés são irônicos)

Minha maquilagem escorrida
esvai uma máscara fatal
-mente decaída

Já sinto o quanto.
E quanto mais um tanto,
Calo-me e nada sinto.
E sinto tanto.

Perco o sono
e a preguiça
e os olhos abertos
querem persistir...
dormindo...



...


eu podia ser um peixe?
ia ser menos estranho sonhar acordada


...
Quando era menina levava altas broncas por ficar, já no escuro, em cima do telhado. Ficava paquerando a Lua, lendo o "Diário de Anne Frank" e esboçava rabiscos em papéis de rascunho. Eu era precoce.
Agora, ainda vejo a mesma Lua, não subo mais em telhados, tenho medo do escuro, leio existencialistas, sou a velha do 71 (ontem foi dia das bruxas).
Sou o garrancho.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pela riqueza da improvisação musical

Essa é pra ler ouvindo coll jazz



O que importa pra um ser vivo é sobreviver. Quando ele morre, além de comida de minhoca, só a alma leva embora. Então, por que ser podre quando vivo? Invariavelmente iremos apodrecer. Deixa que as coisas se encaminhem. Não te perturbes por não ter o conteúdos daquelas vitrines. Elas são de vidro e pela refração, você só vê a imagem dos objetos. Desejas o Irreal? Yep!
- E agora?
- Ao pó retornará, José.

(da série: desengavetar os sentidos)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Satyros

não lembro do poema, mas lembro do poeta carioca e bêbado pra quem eu recitei Florbela Espanca

Juro que ele parecia com esse moço iluminado: