Henri T. Lautrec

Henri T. Lautrec
Suzanne Valadon

sábado, 18 de junho de 2011

Epitáfio

Não morrerei de tristeza, ou de palidez por não ir ao Sol.
Não morrerei de medo de chuva, granizo ou do Homem.
Ficarei viva por afeto e sabedoria, guardada num canto de livro ou pétalas de flor

Entre as estrelas e o ar,
Entre as ondas e estradas,

Estarei liberta onde o vento me soprar
levitando os pés do palco a vinteequatro
quadros com tintas de paredes
em segundos de rodapés de página.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dói


Meu ser partido em mil
lascas de manias, quebrado
Cortante. Cortado.

Almas diversas que em mim habitam
escorrem em cacos de fotografias.

O corpo assim jogado a mil ângulos
deglutidos
fica a mercê do tempo

Envelhece passado nesta luz da manhã
Num eterno movimento dentro de si mesmo.




(Não sei de quem é a foto.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tratado da coragem

Acredito ser o ócio a me dar calafrios ao fim de alguns dias de outono. Resolvi, então, partilhar o o "Tratado da Coragem".
A estes escritos dou como fim a prática da coragem como única terapia par escalar-se muros. É simples e não tem maiores segredos a não ser aqueles que estão enterrados dentro de ti.

Número 1: No espelho seu auto-reflexo dá nítida imagem de quem você parece ser. Teça alguma conversa de perguntas e respostas. Ao fim se um minuto capaz que você se irrite, mas então agradeça-se e deseje-se um bom dia. Perdoe-se.

Número 2: respeite a manhã. o dia acorda com o Sol e as flores florescem pelo dia... Desperte-se, mesmo que sentado à cama e que não tenha compromissos exteriores. Acredite, o universo interior é bem mais penoso aquele ao qual a retina reflete, deixe que o dia lhe tire as poeiras seculares.

Número 3: É mentira quando outros dizem que tuas ações irão dar mesmo errado. Na maioria das vezes irão mesmo dar errado e por isso tem-se que levar a sério as opiniões dos mais sábios. Dos mais sábios. Todavia, se se nem você acredita que pode morar em Estocolmo, realmente não pode. E, na verdade, nunca irá poder, pois a mente projeta teus desejos para o exterior e a confiança irá te levar onde quer que queira.

Número 4: Não use o poder de desejar e mentalizar ovelhas condecorando cercas para fragilizar outros. Isso é cuspir para cima e não posso ser mais clara.

Número 5: A coragem é pisar no lodo de si próprio, limpar os pés e tentar arrumar os sapatos. Frustração, decepção e aniquilamento de si mesmo irão inevitavelmente ocorrer. Quiçá todos os dias. mas a coragem do auto-conhecimento poderá fazer com que você se perdoe e veja em si pequenos valores. Creia em si. 90% da população mundial crê em alguns tipos de deuses e ajoelham por eles pedindo todo o tipo de mistérios. Peça a você primeiro, também.

Número 6: Coragem é uma arma que irá lhe atiçar as onças das sinapses e mantendo-a constante alçará voos plenos. Não deixe, contudo, que teu ego lhe leve para mundos mais longínquos aos que te amam. Voltar é sempre difícil e o mais importante é alçar longos voos dentro de si mesmo, sempre descobrindo-se.

Número 7: Tenha coragem de desejar mais coisas espirituais que materiais. A sabedoria é caminho penoso tanto quanto financiamento pela Caixa Econômica. Não irão enterrar teus ouros com você, a não ser que seja Tutancamon. De qualquer forma o ouro e teu corpo ficariam inertes, mesmo reluzindo dourado... O espírito que aprendeu o perdão e o valor da simplicidade da Natureza continuará na mutação. Todo o Mundo precisa da coragem da larva que descobre-se borboleta.

quinta-feira, 10 de março de 2011

vai, não sê gauche.

Todos os dias
enfrentas tempestades,
dúvidas assombradas,
melancolias submersas,
maremotos profundos de ausências...

Todos os dias a alma pena
à pena torta
a ser alguém.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Zarpando ao lodo

Tudo está vivo, inteligível, desconhecido.
Deuses ainda sopram as bordas do mapa,
levando-nos pelos rios, afundando-nos nas ondas.

Zarpamos ossos dos barcos.
Cinzas azulam os olhos, pixelados em vitrines.
Suores noturnos, diurnos, inquietos valem poucos xelins.
Carrascos e imundos dinheiros perturbam o ócio.

Caimos da proa no azulejo frio, cheirando a crack.
E nada você enxerga.
A opacidade do ser egoísta é calar-se ao lodo,
rezando pra que Alah ainda cuspa em seu destino.